27.2.08

Novo Pessimismo



Artista: Interpol
Álbum: Our Love to Admire
Gênero: Rock Alternativo
Ano: 2007


Quando se pensa em fazer um álbum, a primeira idéia que vem na cabeça do compositor é fazer músicas com o máximo de detalhes possíveis e sempre manter a “alegria”. O Interpol não se preocupou tanto com isso. Eles fizeram o seu ultimo álbum, “Our Love to Admire”, com o mínimo de recursos e detalhes possíveis e ainda por cima, não se preocuparam tanto em fazer composições alegres. Lendo isso, o leitor já pensa que este álbum não deve prestar, porém, o álbum se valeu dessas características para fazer desse álbum um destaque dentre os anteriores.
Já inovando, a banda opta por “Pioneer to the Falls” como faixa de abertura. A inovação dessa escolha se deve pelo fato desta música ter uma frase inicial de guitarra extremamente depressiva, mas em nenhum momento isto se torna um aspecto negativo na música. A seguir, “No I in Threesome” que é conhecida pelo seu figurativo clipe e sua excêntrica letra. Dizer que este álbum é inteiramente depressivo é um equívoco, pois, o único álbum que foi capaz de transmitir essa depressão em doze músicas é o lendário “OK Computer” do Radiohead (muito bom por sinal). As música mais alegres são “Scale”, “Heinrich Maneuver” e “Mammoth”, entre outras. O rítimo animador cai quando se escutam as primeiras notas da guitarra de “Pace is the Trick”, similares à primeira faixa, porém, já se reanima com as primeiras notas de guitarra distorcida de “All fired Up”. A simplicidade optada pela banda no álbum, tem destaque na música “Rest my Chemestry” que segue com simples padrões 4/4 e singelas frases de guitarra. Se o leitor achou que haveria um emocionante e alegre final, se engana. A banda optou por finalizar com o ápice despressivo é muito bem colocado, “The Lighthouse”.
Muitas bandas já abusaram do recurso de composições simples, como Arctic Monkeys e Band of Horses.Mas a mistura desta com a sempre presente alternação de estados emocionais ao longo do álbum, cria diversas sensações ao ouvinte, desde alegria a vários momentos viajando pela mente. Em minha opnião, o melhor lançamento de 2007.

Lembrete: A banda vai passar pelo Brasil com a tour deste ábum no dia 11 de março na Via Funchal.

20.2.08

Um marco de domingo



Artista:Taking Back Sunday
Álbum:Louder Now pt.2
Ano:2007
Gênero:Rock Alternativo


Álbuns ao vivo nem sempre são tão aguardados em relação a álbuns de estúdio. Uma exceção desta “regra” é o mais recente álbum ao vivo do Taking Back Sunday, Louder Now pt. 2. A banda com nove anos de carreira mostra neste álbum, apesar de alguns trabalhos recentes terem divergido tematicamente de seus antepassados, o que uma grande parcela de fãs já esperava: um surpreendente show que marcaria a história da banda. Todas as faixas tocadas neste álbum ao vivo estão no disco de estúdio Louder Now.
A abertura se deu por conta da explosiva “What’s it Feels like to be a Ghost” que com certeza animou toda a multidão com o pesado “dueto” de bateria e guitarra. Nesta e nas seguintes músicas, a banda usa e abusa do fato de terem dois excelentes vocalistas (o principal, Adam Lazzara e o secundário, e também guitarrista, Fred Mascherino). Destas merecem destaque: “Twenty-Twenty Surgery”, “My Blue Heaven” e “Error: Operator”. A música “Spin” é interessante devido ao seu solo de guitarra que possui um esplendoroso “feeling”. O trabalho de harmonia vocal de “Liar (It takes one to no one)” é feito com tamanho sucesso que este fato nos faz lamentar a saída de Fred Mascherino da banda. “Makedamnsure” é provavelmente a faixa mais conhecida do álbum por causa de seu simples, porém excelente videoclipe. O álbum possui músicas mais calmas como “Brooklyn (If you see Something, Say Something)” e “Divine Intervention” que em determinado momento Lazzara, que está tocando violão, anuncia: Acabei de estourar uma corda!(detalhe: a música é calma). O álbum também possui o DVD do show que só tem a comprovar que Taking Back Sunday possui uma extrema presença de palco.
Mesmo não estando na platéia do show, a mixagem dos instrumentos é feita com tamanha perfeição que a sensação é de estar no próprio show. Como já dito, é um show que marcou a história da banda.


10.2.08

From Líbano, with love



Artista: Mika
Álbum: Life in Cartoon Motion
Gênero: Pop Alternativo
Ano: 2007


Quem diria que um singelo rapaz do Líbano conseguiria mais tarde, por meio de sua música conquistar o mundo com seu talento e sua excentricidade? Mika é sem dúvida um talentoso artista que neste primeiro álbum de sua carreira mostrou um talento de proporções estupendas. Tamanho é o seu talento que alguns críticos consideram sua voz semelhante à do lendário Freddie Mercury.
A abertura do álbum se da por conta da irônica “Grace Kelly”. Sua letra faz menção direta à mídia britânica que, no começo de sua carreira quis moldar seu estilo para algo mais comercial (ironicamente Mika estourou nas paradas britânicas algum tempo depois). Segue-se a música “Lollipop” que possui uma letra polêmica, mas, ao mesmo tempo hilária. “My Interpretation” e “Any other World” são as faixas mais calmas e harmoniosas do álbum possuindo belos arranjos de piano, violão e cordas feitos pelo próprio Mika e “Love Today” re-agita o álbum num padrão rítmico característico dos anos 70. Mika demonstra, nessa faixa e também em “Relax, (Take it Easy)” o seu incrível trabalho vocálico atingindo notas altas com um incrível controle da voz. “Billy Brown” é uma faixa interessante, pois mistura uma letra relatando a partida de um homem de sua família e, por incrível que pareça, uma melodia extremamente alegre contradizendo a letra mas, em nenhum momento essa fusão torna-se um aspecto negativo do álbum. E por fim vale ressaltar “Stuck in the Middle” que possui uma mistura rítimo/melodia muito “dançante”.
O álbum merece grande destaque em sua produção, pois, dispõem de variados recursos que fazem desse álbum um convite para uma grande festa que não pode ser perdida.