23.8.08

Ontem fui à "Semana de Arte Moderna de 22" de 2008



Artista: Vitor Araújo
Álbum: TOC
Ano: 2008
Gênero: Inovador


Tive o enorme prazer de ver ontem (23/08) a apresentação de piano do jovem recifense de 19 anos, Vitor Araújo; no auditório do Ibirapuera. Creio que tive a mesma experiência que um espectador teve ao ver Heitor Villa-Lobos na Semana de Arte Moderna de 22. Naquele momento, meu conceito de música foi reescrito. A genial mistura de composições clássicas com elementos modernos e contemporâneos fez desta apresentação, memorável (se não, histórica). Desliguei-me do mundo por noventa minutos, aproximadamente. A apresentação misturou qualidade musical, performance artística, a poética fala do compositor e, é claro, seu sotaque “arretado”. Após a performance, comprei o CD/DVD, “TOC”, e agora irei compartilhar desta genialidade em forma de um garoto de 19 anos.
Excêntrico e Impactante. Assim descreve-se sua entrada no palco. Ao invés de sentar-se no piano e dedilhar “Dança do Índio Branco”, de Villa-Lobos, subiu na cadeira e pisou com força do piano. Desceu da cadeira (metendo a mão nas teclas do piano enquanto fazia-o), dedilhou diretamente nas cordas, bateu algumas vezes na madeira do piano e assim começou a tocar. Depois, Vitor Araújo incorporou Yann Tiersen e sua conhecidíssima “Comptine Dun Aute Étê” do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. No show de ontem, foi interessante notar que a cada música que tocava, o artista dizia algumas palavras sobre aquela composição. Vitor Araújo disse, por exemplo, que a próxima música que iria tocar descreve em duas palavras, do que o ser humano precisa: “Samba e Amor” de Chico Buarque de Holanda. Bonita, também, foi a forma de dizer como havia escrito “Valsa para a Lua”. Narrou que estava viajando pelas nuvens, e encontrou grandes ídolos seus. João Cabral de Melo Neto, Stanley Kubrick e o maior deles: Charles Chaplin. Perguntou a este: Porque não há anjos aqui nas nuvens? Chaplin respondeu: Anjos só existem na lua. E para vê-los, Vitor Araújo disse que, a caminho da lua, ouviu alguns fragmentos de melodia, que viria a ser “Valsa para a Lua” (o ponto forte do show). Segue-se outras músicas no DVD, como a releitura de “Asa Branca”, “Toc”, que descreve o dia-a-dia de Vitor Araújo, e uma outra releitura, de “Paranoid Android” o grupo inglês Radiohead.
Da para notar, que esse “garoto” vai longe. Alguns conservadores dizem que, a música que ele faz não é música. Digo uma coisa a estes. O mesmo ocorreu com Heitor Villa-Lobos e, atualmente, é considerado o maior maestro e compositor brasileiro. Não é preciso dizer que acontecerá o mesmo com Vitor Araújo.

16.8.08

O que é que a Islândia tem?



Artista: Sigur Rós
Álbum: Með Ssuð í Eyrum Við Spilum Endalaust
Ano: 2008
Gênero: Post-Rock
A Islândia é um país curioso. É pouco conhecido turisticamente, tem muita neve, muitos ursos polares e o melhor de tudo: possui bandas e cantores (ras) magníficos. A começar por nada menos que Björk e sua originalidade impecável. Seguindo com Amiina, um quarteto que surpreende com a quantidade de instrumentos que tocam em palco. E terminando, a estrela do texto, Sigur Rós. Tendo um de seus álbuns (Ágætis Byrjun) no livro “1001 discos para se ouvir antes de morrer”, a banda mostrou desde seu primeiro álbum “Von” que na Islândia tem muitíssimo mais do que neve. Neste CD, não foi surpresa a qualidade ter sido mantida.
O álbum abre com “Gobbledigook” que aparenta lembrar um coro de pequenos duendes cantando lalalala e vai se mantendo pulsante com uma percussão digna. “Inní mér syngur vitleysingur” é surpreendente. Parece ser uma fusão de uma música natalina, elementos islandeses e um belo arranjo por parte das cordas (que por sinal, é feita pelo grupo Amiina). A viagem prossegue. Seguem-se uma sequência de músicas esplêndidas. “Góðan daginn” que é o passaporte para outro mundo (se não, dimensão), “Við spilum endalaust” que segue uma temática parecida com “Inní mér syngur vitleysingur”, e “Festival” que parece ser uma perfeita fusão das duas anteriormente citadas. “Með suð í eyrum” consegue juntar um piano de melodia suave com percussões fortes criando novos padrões. O ápice desse álbum se encontra na faixa “Fljótavík” que traz um belo arranjo de cordas, uma melodia de piano maravilhosa e o timbre de voz de Jón Þór Birgisson que se encaixa perfeitamente nessa esplêndida composição. Sei que elogios não ganham uma crítica, mas é difícil expressar-se diante de tamanha perfeição.
Após ouvir o álbum completo, creio que qualquer indivíduo intra ou extraterrestre mude seu conceito sobre a Islândia. Um êxtase sentimental em forma de álbum. Um excelente, se não o melhor, álbum de 2008.