3.5.09

A Justiça não é cega. É visionária.







Artista: Justice
Álbum: †
Gênero: Eletrônica
Ano: 2007




Sugestão para escritores de livros de geografia: acrescentar um novo capítulo em relação aos musico-pólos mundiais. Para os não familiarizados com o termo, aqui vão alguns exemplos desses. A Islândia é o musico-pólo da originalidade musical e dos artistas visionários, a região da Califórnia é o ponto de difusão de bandas alternativas que sempre inovam o cenário do punk/pop punk. E por último, a França, lar das duplas eletrônicas mais conhecidas do mundo. É do país da Torre Eiffel que saíram talentos como o glorioso Daft Punk e o matador Gotan Project. E também é de lá que a estrela deste texto nasceu: o Justice. Neste álbum de estréia, a banda conseguiu relatar ao mundo que a França continua firme e forte no ramo de abrigar duplas eletrônicas e lançá-las ao mundo. Vamos ao produto deste musico-pólo.
Anuncia-se que o álbum começou com “Genesis”, uma faixa que não podia ser mais apropriada (não só pelo título, mas pelo tom de abertura). A continuação desta primeira faixa se dá logo em seguida com os primeiros acordes de sintetizadores distorcidos e meio ondulados da composição “Let there be Light”. No final desta mesma música e possível notar acordes que denunciam uma clara influência de Daft Punk. Logo após, uma pequena viagem no tempo, propiciada pela música “D.A.N.C.E”, para voltar à época do disco 70’s. Na composição “New Jack” temos timbres inovadores simulando vocais e, para aqueles que pensavam que eletrônica era apenas o famoso “tumtitumti”, nessa música os padrões rítmicos vão além desse maldito senso comum. Um timbre bem interessante que está presente em várias músicas, incluindo “Phantom” e “Phantom pt. II”, é o slap de baixo digital, que parece ser uma das marcas registradas do Justice. A seguir, uma faixa bem simpática. Digna de ser a trilha sonora de um passeio a um parque futurista. As faixas com letras também são bem interessantes. “The Party”, por exemplo, é praticamente um guia para mulheres do que fazer numa festa, obviamente. E “DVNO” é justamente o oposto, um guia para homens de como seduzi-las com um toque de machismo irônico engraçado. “Stress” possui um título bem adequado. Não que a música seja estressante, mas parece que o Justice conseguiu pegar o sentimento de stress e frustração e musicá-los numa composição muito bem feita. E finalizando, “Waters of Nazareth” que é simplesmente o auge da distorção de timbres deste álbum, contribuindo para que seja uma das melhores faixas do álbum.
Não sei quem foi a mula que disse que justiça é cega, mas garanto-lhes que ele, ou ela, errou bem feio ao proferir essas palavras. O álbum é a comprovação de que a justiça é visionária. Grande álbum para fãs de eletrônica.

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